12 outubro 2011

Design é um regime ecológico...

Design é um regime ecológico de interação entre a liberdade poética com a maturidade técnica

Artigo de João Calligaris


O design, como veículo da identidade e de memória, ainda que condicionado pela disciplina natural do programa, aspira pelo desígnio último, ao lugar ideal da liberdade. O design é conhecimento que liga os momentos da temporalidade, através da sabedoria da experiência técnica da poiesis, do conhecimento que é fundador do artístico (autor/técnica), do tecnológico (programa/técnica) e do funcional (autor/programa).

A “poética”, enquanto técnica fundada na memória da existência, é o fator de inovação do design. Poética (poesis), significando a técnica da eclosão, sendo o design, hoje, o seu mais visível campo da manifestação artística da sabedoria na techné (PROVIDENCIA & POMBO. Revista ADG/n.º28/2003).
Os objetos, imagens e expressões são artefatos culturais, traços manifestos numa trama de agenciamentos e operações simbólicas dadas as maneiras, crenças e valores que permeiam expressões e as formas com que as relações são partilhadas entre os indivíduos e suas culturas (seres/hábitats). A memória na medida em que organiza o tempo, age sobre a percepção dos acontecimentos e artefatos e condiciona a expressão dos fenômenos da cultura.  

O Design entra como tecnologia do convívio, por onde diversos jogos de representações são envoltos explicitamente neste contato frente à auto-atividade social, de relacionar-se com os modos operantes na cultura em fronteira com o outro.
Estamos permeados por artefatos que agregam e agridem personalidades, agem enviesados nas condições expostas dos agentes de difusores de cultura, “reguladores” das dinâmicas das convenções distintivas de uma sociedade.  As culturas materiais em suas diversas faces representam visões, modelos, são um documento expresso, patrimonial; não existem por acaso, são frutos e testemunhos referentes. Empreender sobre o desejo de inculcarmos patrimônios imateriais provenientes de saber, heranças valorosas enevoadas frente a uma dinâmica cultural almagamada a uma complexa e intrincada dinâmica de mercado.  
Por onde, cada vez o mundo dos artefatos assume diversas posturas e imposturas, modelos de subjetivação e acionamento de estados ulteriores para predizer a respeito da tonicidade com que são alardeados, frente às fronteiras e suas relações de um território muita vezes inóspito as lógicas de convívio; para além da imposição precipitada pela tecnosfera, a política industrial e o crescimento urbano premente.
Porém, para que se benfazeja uma cartografia de um território especial, como no qual estamos inseridos; o design deverá prover um regime ecológico de diálogo em interação social, o de tornar-se um estratégico componente, como fator essencial para o bem viver, de forma genuína, eliminando ranços, constrangimentos e a afasia. A favor de um incremento social na educação para tangibilizarmos ações de crescimento sociocultural sustentável; de resgate constante de nossa cultura imaterial, inocular, frente a um estado de mercado atrelado a um atuante desejo de consumo conspícuo.
Ativarmos uma história, em favor de uma imagem loquaz repleta de engramas lançados ao futuro, arquitetado ao gosto inventivo com o que nos ocupamos em considerá-lo adequado a uma configuração geral de nosso espaço socioambiental. 
Estratos de beleza natural sem igual, capaz de embalarmos a juventude, alinhada a uma mentalidade fresca no afã de uma narratividade própria; que permita-nos insuflar uma cultura genuinamente original. Espaços comprometidos com as diversas latências, entre as relações inclusivas de criatividade e saber, aos vislumbrarmos com denodo, ações que se voltem ao fomento de programas vinculadores, frente aos acontecimentos, para que novos atos educacionais ressurjam para uma fértil mediação entre nossa cultura, design e natureza. Que faça invocar a natureza cultural através da educação a mediação necessária espiritualizado pelo design inovador; capaz de articular e potencializar o lugar de forma audaciosa sob uma paisagem inespecificamente linda, de verdadeira ilação voltada à criação original.
Dinâmicas do espaço, modelos diferenciados configurado em meios a uma biodiversidade e uma natureza “selvagem”, e que de nada nos adiantará uma ocupação desenfreada a avançar sobre áreas de mananciais, e ao depositar estilos duvidosos quanto uma urbanização voraz; representativos a velhos modelos relançados do design internacional. Só, e, por um dinâmico e disciplinar emprego a considerações de intuições conceituais, plataformas emergentes, ambientes multidisciplinares co-criativo, a fim de revelarmos uma nova “proto-estética” de um ambiente colaborativo.
 Homiosis/assimilação, para um novo sensoriun/sentido irradiador, digno de um espaço impar, que se quer alcançar em termos de verdade cultural. Elevariam  ao compromisso a discussão do que se quer em termos de experiência, motivação e coabitação em comunidade, para se melhor gerir o futuro dos nossos, sob referentes exemplares de cultura, extirpando o jugo da exploração para enfim poetizarmos nossa mirada para aclamar nossa estadia.
É necessário um futuro que crie alternativas as invariantes demandas por invenção, inovação para satisfação de um retorno consubstancial relevo ao entorno das intenções; ativando vetores colaborativos do conhecimento para o, planejar, gerir a questão do aprimoramento da condição socioambiental a humanizar, o  já, rico espaço natural, sob a batuta de que os atos projetuais do design não se transformem em apenas superfícies aprazíveis, em apenas querer “mercadificar” à matéria. E sim, pautarmos o enfoque em nossos valores, em favorecermos a educação, que através dela, trilharemos novos caminhos, descortinando acessos mais fluídos, menos burocratizados, integrativos e inclusivos.
Precisamos acompanhar as novas revoluções  tecnológicas e interatuar com os seus derivados apelos, contingências; porém, o homem não pode ver-se apenas agente-objeto de sujeição, frente às lógicas de virtualização do real e a pulverização das imagens vazias multitelas; agenciadoras de apenas tornar-se commodities em órbita massiva de circulação sob as mídias comunicacionais tecnológicas. Ou seja, o fator motor que o design articula em promover uma realidade tangível, simbólica, mais humana e dapatada, nos exigirão excitarmos uma agenda que venham de encontro a propusermos um estatuto das dinâmicas no espaço; co-relacional em virtude das aspirações que visem incubar aspectos de uma economia criativa e solidária, em um ambiente carente e repleto de oportunidades; visando à humanização e o exercício em democratizar o ambiente coletivo envolvido nesse intento utópico.
A transparência frente à valorização da vida em todos os seus aspectos em detrimento a racionalização do espaço, a homogeneização dos meios e a escassez de matérias prima, nos obrigarão repensar sobre reais necessidades nessa rede intrincada em promovermos por entre os territórios, a inteligência local original, frente ao domínio global uniformizante.  
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