05 fevereiro 2012

DVD: Ao Mestre com carinho - Rodolfo Zalla


Parte 1
Compartilho este excelente documentário sobre um dos últimos  Mestres da HQ no Brasil, Rodolfo Zalla, trabalho produzido totalmente pelo cartunista Marcio Baraldi.
(Veja entrevista após Rodolfo Zalla).
Um esforço pessoal e profissional inestimável pelo amor, respeito ao Mestre Rodolfo Zalla  e para preservar a memória da HQ nacional. 


Quem é Rodolfo Zalla?
Rodolfo Zalla nasceu na Argentina em 1931 e iniciou sua carreira nas revistas “Poncho Negro” e “Patoruzito”, publicações muito populares na época.
             Imigrou para o Brasil em 1963 onde encontrou um farto mercado de trabalho e imediatamente se tornou um artista de quadrinhos mega prolífico. 
            Ao lado de artistas como Jayme Cortez, Miguel Penteado, Eugenio Colonnese, Rubens Cordeiro, Luis Saidemberg, Primaggio Mantovi,Getúlio Delphim, Julio Shimamoto, Flavio Colin e Osvaldo Talo, entre outros, construiu e vivenciou um dos momentos mais felizes e intensos da HQ brasileira: as décadas de 1960 e 1970.
              Nesta época, editoras como Taika (ex-Continental e Outubro), GEP, Edrel e Jotaesse, capitaneadas por editores visionários como José Sidekerskis( o Zelão), Manoel Cassoli (o Manelão), Heli Lacerda,Minami Keizi e o próprio Miguel Penteado,apostavam todas suas fichas no quadrinho 100% nacional,lançando milhares de revistas de todos os gêneros, do farwest ao terror. 
                               Zalla, com seu profissionalismo ímpar, rapidez e criatividade ilimitadas, logo destacou-se no mercado produzindo milhares de páginas de quadrinhos de aventuras, super-heróis, farwest e, sobretudo, TERROR, sua grande paixão! 
              Em meados dos anos 70, quando as editoras fecharam suas portas por pressão da ditadura militar e da censura, Zalla migrou para o mercado de livros didáticos, onde quadrinizou todos os capítulos da História da Humanidade, do Homem Primata até a Segunda Guerra Mundial. Quadrinizou também toda a História do Brasil. Feitos até então inéditos nesse mercado! 
              Na década de 80, Zalla provou mais uma vez seu pioneirismo e espírito empreendedor fundando sua própria editora, a D-Arte, pela qual lançou os gibis Johnny Pecos, Calafrio e Mestres do Terror. Estes dois últimos durariam dez anos ininterruptos nas bancas. 
              Hoje, aos 80 anos de vida e 60 de carreira, Zalla é um dos últimos Mestres vivos de sua geração. Além do documentário, o DVD traz ainda vários extras como: “causos” engraçados, capas vetadas de revistas, galeria de fotos e galeria de artes de Zalla, totalizando 72 minutos de duração.
ENTRE EM CONTATO COM: MARCIO BARALDI PARA ADQUIRIR O DVD

Parte 2
ENTREVISTA COM MARCIO BARALDI SOBRE OS BASTIDORES DO DVD.



JBlog >> Qual sua inspiração para fazer o doc? 
Marcio Baraldi - Por vários motivos. Primeiro porque quando eu era moleque eu lia os gibis dele e achava ducarvalho! 

Segundo porque eu sempre tive um puta respeito pela geração dele: Colonnese, Osvaldo Talo, Gedeone, Jayme Cortez, Penteado, Getulio Delphim, Fernando Ikoma, Flavio Colin, Shimamoto. Eles são meus heróis desde moleque e nunca imaginava que um dia iria conhecê-los, quanto mais virar amigo. 

Terceiro, porque a geração deles esta indo embora, ele é um dos últimos que ainda esta aí. Já tinha ha alguns anos esse projeto de fazer um documentário com os principais artistas dessa geração, mas nunca sobrava tempo pra começar. Cheguei a combinar com o Colonnese de ir gravar na casa dele, mas algumas semanas depois ele faleceu. 
                              Na seqüência faleceram o Claudio Seto e o Minami Keizi. Aí eu achei melhor gravar o Zalla correndo antes que ele zarpasse também (risos). É chato falar isso, mas esses artistas já tem 80 anos de idade e ninguém deu o devido valor a eles. A crítica sempre os ignorou, para os críticos um artista brasileiro só tem valor se ele publica nos EUA. 
                             E a geração do Zalla foi exatamente na direção contrária, eram nacionalistas convictos e queriam um quadrinho brasileiro acima do americano. Era o sonho deles, com o qual eu me identifico e compartilho até hoje. Quem deveria estar fazendo esses documentários são as TVs, grandes empresas de comunicação e tal. Mas como elas não fizeram, os fãs como eu é que estão fazendo. 

 JBlog >> Você ainda gosta de hqs de terror? 
MB - Hoje confesso que eu já não me identifico mais, hoje eu defendo uma mídia sem violência, porque o mundo já está violento demais. A sociedade enlouqueceu e a vida real é muito mais terrível e sanguinária que as HQs ou o cinema de terror. Mas eu sou fã da obra completa do Zalla, que não fez apenas terror e sim também farwest, aventuras, guerras, e super-heróis como o Escorpião, Homem Fera e Targo, o Tarzan amazônico, que durou muitos anos nas bancas. Além disso, ele também fez quadrinizações maravilhosas como as biografias de Chico Xavier e Lula, que são outros dois heróis meus (risos). Então eu tenho motivos de sobra pra admirar o Zalla e seu trabalho. 

JBlog >> Você produziu e dirigiu sozinho? Quanto tempo e dinheiro te consumiu? 
MB - Eu bolei tudo, pois já era um projeto antigo meu que eu finalmente tirei da gaveta. Roteiro, direção e produção. Peguei dois câmeras experientes, com equipamento de primeira, e gravamos tudo em dois dias. O resto foi edição, que eu dividi com o Fernando Bolinha, que é super experiente e me ajudou muito. Gastamos dois dias de gravação e um mês de edição. Quanto aos custos, gastei o necessário pra fazer um bom trabalho. Valeu cada centavo. 

JBlog >> Você quer partir pra uma carreira de audiovisual? 
MB - Meu objetivo é apenas fazer justiça com essa geração de artistas fundamentais pro Quadrinho brasileiro. Prestar-lhes as devidas honras e ajudar a popularizar e eternizar um pouco mais a obra espetacular deles. 

JBlog >> Quais as maiores revelações que o Zalla fez?
 MB - Ele contou toda a vida dele, seu inicio de carreira, mostrou fotos antigas muito legais que eu aproveitei no DVD, mostrou capas que foram vetadas na época e nunca foram publicadas. Mostrou seus primeiros quadrinhos ainda na Argentina, feitos aos vinte e poucos anos. Enfim mostrou coisas que praticamente só ele tinha acesso e ninguém nunca viu.                                                  Também contou e protagonizou momentos engraçados que eu resolvi usar nos extras, só pro publico dar risadas com ele, pois ele e a esposa, Dona Ana, são duas figuras muito bem humoradas. 

JBlog >> Você viu o doc do Claudio Setto? 
 MB - Já comprei uma dúzia dos DVD do Claudio Seto e os mandei de presente pro Zalla, Fernando Ikoma, Osvaldo Talo e outros dessa geração. Gostei muito do DVD do Seto, mas achei um pouco curto.Gostaria de ter visto mais coisas dele já que infelizmente não houve tempo de eu me tornar seu amigo. Sou grande fã do Seto e tenho muito material raro e antigo dele na minha coleção. Considero-o um autor genial e a frente de seu tempo. 


Já o documentário do Zalla é bem mais longo e abrangente, tem quase o dobro do tempo do DVD do Seto. Mesmo assim, não ficou cansativo. Cortei muita coisa porque não dava pra caber tudo, deixei só o mais importante. E mesmo assim ficou com 72 minutos. Espremi 80 anos de vida em uma hora e doze minutos. 

Entrevista extraida de: Baraldi no JBlog
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