29 janeiro 2011

Em nome do MEU Progre$$o

O crescimento da procura europeia por carne, ração animal e agrocombustíveis está contribuindo para a destruição da Amazônia e do Cerrado, revela o novo relatório lançado pelos Amigos da Terra Europa.

O relatório surge num momento em que a bancada ruralista brasileira está fazendo lobby para alteração do código florestal federal. A fim de enfraquecer demandas futuras.


O relatório "Da floresta à mesa", mostra que os dados mais recentes revelam que a União Europeia:
- é o quarto maior importador de carne brasileira com mais de 250 mil toneladas de carne bovina importada em 2009.


- é um dos principais mercados para soja e farelo de soja brasileiro comprando cerca de um terço da colheita nacional.


- em 2009 foi o maior importador de etanol brasileiro, produzido com cana de açúcar, corresponde a 26,5% das exportações brasileiras.

A soja, principalmente para ração animal, biodiesel e a pecuária, tem sido historicamente o principal condutor do desmatamento no Brasil.

Contudo, o relatório mostra que a expansão da cana de açúcar, principalmente para produção de agrocombustíveis, está deslocando a soja e o gado para as fronteiras da floresta.

Apesar das recentes quedas das taxas de desmatamento na Amazônia, para 6450 km² ainda são derrubados todos os anos – o equivalente a 2475 quadras de futebol por dia.

O Cerrado tem índices ainda piores, com 20000 km² destruídos anualmente – o tamanho da Eslovênia – o equivalente a 7674 quadras de futebol por dia.VEJA DOCUMENTARIO ABAIXO:



A pesquisa ressalta que é esperado o aumento da produção das três commodities – 5 milhões de hectares de soja até 2020, a pecuária e a cana de açúcar deve crescer 25% no mesmo período – colocando uma pressão adicional nas florestas, nos ecossistemas e nos meios de subsistência no Brasil.


Adrian Bebb, da campanha sobre alimentação e agricultura de Amigos da Terra Europa afirmou:


“O super consumo europeu de carne, ração e agrocombustíveis está levando à contínua destruição da floresta Amazônica e o Cerrado brasileiro. Enquanto a população européia pode reduzir os níveis de consumo de carne, os governos precisam urgentemente ajudar os agricultores a reduzir o uso de soja para ração animal e eliminar os planos de expansão do uso de agrocombustíveis. A continuada destruição no Brasil terá sérias conseqüências para o clima, para a biodiversidade e para a vida de milhares de pessoas.”


A atual legislação florestal brasileira está sob ameaça do agronegócio interessando em expandir sua fronteira agrícola derrubando florestas e savanas.

As mudanças propostas a serem votadas em breve no Congresso Nacional Brasileiro podem levar a uma massiva redução na proteção de áreas de floresta nativa (70 milhões de hectares poderiam perder o status legal de proteção). Vários estudos apontam que essa mudança poderia levar à liberação de 25 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera.


Clarissa Trois Abreu dos Amigos da Terra Brasil diz:

“Apoiado pela alta demanda no exterior, o agronegócio tem feito um lobby agressivo para transformar áreas de floresta em plantações e produção. Qualquer enfraquecimento no código florestal levará a uma redução massiva das florestas protegidas. Plantações não substituem o benefício que as florestas fornecem para o clima e para a vida selvagem, ao mesmo tempo, que representam uma ameaça à subsistência de pequenas comunidades rurais."

DOCUMENTO: Da floresta à mesa





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