12 setembro 2012

O preço do nosso futuro comum

http://www.wired.com/culture/design/magazine/16-05/st_bladerunner

Como designer, sinto que não há mais sentido , (o que se comprova ultimamente com a crise global) de manter o ritmo de produção-consumo-descarte atual. 

Há razões capitalistas, econômicas, de mercado, oferta - procura para continuar produzindo assim, com interesses muito acima do bem estar global. 
Mas realmente precisamos tudo novo?
De onde surge essa obsessão pelo novo, pelo consumo?
Efetivamente nascemos apenas para consumir? sim ( ) não ( )
O que é projetado perde o sentido se não é consumido? sim ( ) não ( )
Apenas o que é consumido tem sentido de existir? sim ( ) não ( )
Nosso Futuro não tão Comum
Por que há essa crença de que o futuro será tecnologicamente - ecologicamente brilhante e será possível continuar crescendo de maneira mais consciente, inteligente? (Esperemos que sim!)
E se não for assim?
Imaginemos então que não é mais possível a produção industrial, mas a população continuará crescendo com as suas respectivas demandas, surgiria então uma civilização totalmente upcycling.
Não apenas roupas, bolsas, ou elementos decorativos, mas realmente uma civilização reconstruída na ideia do upcycling. De carros, até prédios, cidades inteiras construídas com o que já foi usado alguma vez.
Upcycling é o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade.
O Design industrial se enfocaria a uma “re-produção industrial do usado” para os mais pobres, em um contexto de “re- artesanato industrial”, mas o Design continuaria a existir como tal para os ricos (Produção industrial do novo).
Existem então elites ecológicas que teriam ou já tem então a melhor ar, água e alimentos com o melhor que o dinheiro ecológico-sustentável pode comprar.
Viveriam nas chamadas Cidades Novas - Domos High Tech isolados dos menos favorecidos.
Os ricos continuariam vivendo em cidades com produtos industriais novos como hoje.
Os mais pobres viveriam em cidades upcycling as chamadas Cidades Velhas, retratos de um passado glorioso como grandes metrópoles, mas hoje apenas “cidades usadas - desperdiçadas, as chamadas “Wasted Cities”.
A derrota do ser humano pelo mesmo ser humano.
Não é isso que está acontecendo? 
Países emergentes estão se tornando Cidades Novas e Países desenvolvidos Cidades Usadas. Quem disse que era ciência ficção?
Sustentabilidade é igual a melhor ser humano?
Como um bom exemplo, um filme interessante que realmente questiona a natureza humana e como as relações de poder - exploração continuariam iguais com dinheiro ou sem.
O filme “O preço de amanhã” propõe o tempo como elemento de troca, apenas coloque outro elemento de troca como a água, comida, oxigênio como deve acontecer em um futuro próximo ou como acontece já que em algumas partes do planeta.
Porquê há essa ideia de que essa onda ecológica - sustentável mudará o ser humano para melhor? E se não for assim?

Sustentabilidade Interna
A dita sociedade sustentável só será possível com uma mudança interna primeiro.
Mente - coração devem ser sustentáveis para que assim essa mudança interior se materialize em um novo mundo externo.

Se o ser humano conservar a mesma “mente - coração insustentável” querendo uma sociedade sustentável, ela não vai acontecer como deveria ser.
Uma sociedade mais justa, equilibrada, consciente com qualidade de vida para todos, mais humana e viável para todos, é uma verdadeira sociedade sustentável.

Devemos novamente “humanizar” o ser humano, pelo design e por todas outras interações, só assim será possivel um futuro comum com qualidade de vida.
Se não for assim, continuaremos no estagio atual, do ser humano “desumano” com tudo e com todos, mas que grita, desesperadamente, aos quatro ventos que é sustentável.
E o Design? Como encaixa no nosso futuro comum?
Veja artigo no tema: O Design equilibrando o homem material e espiritual
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